Por que as cidades precisam projetar a gestão circular?

21/02/2022
Artigo por Julia Machado

Por Julia Machado *

As mudanças climáticas ameaçam as condições de moradia de muitos lugares, especialmente das grandes cidades. Desde a elevação do nível do mar até eventos climáticos extremos, os centros urbanos devem se adequar a um clima menos estável com estratégias de adaptação às condições atmosféricas, como a arquitetura inteligente de construção e paisagismo, e a infraestrutura que mitiga riscos ao criar espaços habitáveis e ecossocialmente atraentes.

Uma das principais ameaças impostas pelas mudanças climáticas para as áreas urbanas é a disponibilidade de água. Um clima desestabilizado tornará o abastecimento hídrico mais volátil e imprevisível, mas a maneira como pensamos a água apenas intensifica essa ameaça. Tratamos a água de forma linear -- fonte a ser usada para descarte --, em vez de circular, o que apresenta uma tremenda oportunidade para cidades à prova de futuro tornarem-se mais habitáveis nos próximos séculos.

A mitigação de riscos e a resiliência no setor de construção urbana podem ser alcançadas por meio de uma infraestrutura azul-verde inovadora, inteligente e integrada -- em particular, com a gestão da água inclusiva. Devemos mudar a maneira de usarmos a água como parte dos esforços mais amplos de adaptação ao clima. Não se trata apenas de usar menos, descarregar mais água de forma mais rápida ou construir reservatórios maiores. Trata-se de usar o recurso hídrico na hora certa e no lugar certo.

A forma como tratamos a água hoje é insustentável. Assim que ela entra nas cidades, tentamos nos livrar dela. Devemos tratá-la como um bem precioso e não como uma mercadoria descartável. É necessário reutilizá-la onde há muito pouco, filtrá-la onde estiver muito poluída e devolvê-la ao solo quando o abastecimento de água subterrânea estiver esgotado. Isso fecharia o ciclo da água e deixaria de deslocar o problema de uma extremidade a montante para a outra extremidade a jusante. Uma mentalidade circular deve sustentar cada passo de design urbano que damos. Devemos fazer valer cada gota.

Como podemos cumprir essa missão? Para mim, a palavra mágica é conexão. Devemos conectar sistemas muitas vezes vistos como independentes -- como águas residuais, águas pluviais e sistemas de água da torneira -- para criar ciclos de água circulares e controlados em torno de edifícios, bairros e até cidades. Então, devemos aplicar o conceito de conexão a diferentes disciplinas, parceiros, tecnologias, designs e soluções, a fim de alcançar coletivamente a infraestrutura mais adaptável e inclusiva.

Ao fazer uso de cada gota com a maior frequência, eficiência e naturalidade possíveis, mitigamos as mudanças climáticas e nos adaptamos a elas. O melhor de tudo é que essa postura ajudará a reconstruir, estabelecer e/ou modernizar e manter uma infraestrutura azul-verde sensível à água a um custo muito menor do que reparar danos causados por catástrofes climáticas.

Tanto as pessoas quanto o meio ambiente se beneficiam dessa maneira à prova de futuro de repensar as cidades e construir de forma sustentável, bem como da adaptação e da resiliência climática que prepararão as cidades para o crescimento populacional e as mudanças climáticas. Ao desenvolver novos padrões e soluções enquanto impulsiona o discurso global sobre o futuro das cidades, a Wavin está apoiando cidades resilientes ao clima que podem continuar sendo saudáveis e sustentáveis. Estamos ansiosos para trabalhar com governos, arquitetos, planejadores urbanos e outras partes interessadas para projetar cidades para o futuro.


Julia Machado é Formada em Engenharia Industrial pela Universidade de Osnabruque (Alemanha) e mestre em Psicologia Empresarial pela Universidade de Hamburgo (Alemanha). A executiva está há mais de cinco anos na Wavin.

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