Minorias debatem, na Europa, racismo ambiental

10/11/2021

Após marcar presença na COP26 em Glasgow, na Escócia, a comitiva da Coalizão Negra por Direitos viaja para Paris, Madri, Berlim e Munique com objetivo de realizar uma incidência política para denunciar o racismo ambiental e suas consequências mais drásticas na vida das populações negra, quilombola e indígena.

A comitiva tem cerca de sete pessoas, que representam a Uneafro Brasil, a Coordenação Nacional de Articulação de Quilombos (CONAQ) e o Movimento de Pescadoras e Pescadores Artesanais do Brasil. Essa é a primeira vez do movimento negro e quilombola em uma experiência nessa proporção. Entre os temas da agenda estão mobilizações e encontro com autoridades. Em 8 de novembro o grupo se reuniu com o vice-prefeito de Paris, Jean-Luc Romero, encarregado dos assuntos internacionais na cidade, além de realizar evento público no Centro Internacional de Cultura Popular, em Paris. "Estamos levando a nossa voz para o mundo. Essa incidência internacional pretende mostrar a realidade vivida pela população negra e a quilombola no Brasil. Algo ainda de pouco conhecimento da comunidade internacional. Se quiser falar sobre justiça climática, por exemplo, seja no Brasil ou fora dele, a sociedade global precisa ouvir aqueles mais impactados pela crise climática. Não existe justiça climática sem justiça social", afirma Douglas Belchior, historiador e cofundador da Uneafro Brasil.

A partir do dia 9 o grupo se divide e realiza ações simultâneas em diversas cidades. Em Madri, a Coalizão se reunirá com a comunidade negra africana e afrodescendente. Já em Munique (Alemanha), a Coalizão realiza debate sobre racismo ambiental e desigualdades climáticas com Christian Russau, jornalista e cientista social alemão. Dia 10 serão realizados encontros com deputados e senadores de distintos partidos políticos no Congresso, em Madri, em parceria com a deputada Maria Dantas, primeira deputada brasileira a ser eleita na Espanha. Em outubro, ela conseguiu aprovação de uma moção em solidariedade a luta da população brasileira pela vida, pelo meio ambiente e pela democracia. Em Munique, as atividades consistirão em ações com movimentos sociais.

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