Mangues da Amazônia vai plantar 60 mil mudas

13/07/2021

 

O projeto Mangues da Amazônia - realizado pelo Instituto Peabiru e Associação Sarambuí, em parceria com o Laboratório de Ecologia de Manguezal (LAMA), da Universidade Federal do Pará (UFPA) visa recuperar áreas degradadas em manguezais da costa amazônica, no Pará. 

Com cerca de oito mil km² de vegetação nativa na zona costeira paraense, do Maranhão e Amapá, os manguezais da Amazônia representam a maior faixa contínua desse ecossistema em todo o mundo. O projeto prevê recuperação de 12 hectares já impactados, beneficiando diretamente em torno de 1,6 mil pessoas, entre os seis mil comunitários mobilizados em três reservas extrativistas dos municípios paraenses de Augusto Corrêa, Bragança e Tracuateua. 

A expectativa é plantar 60 mil mudas das três espécies de árvores de mangue dominantes na região no período de dois anos, com construção de viveiro e monitoramento. O envolvimento de pescadores, caranguejeiros, marisqueiras e famílias que utilizam os recursos dos manguezais para o sustento é chave ao sucesso do reflorestamento. “É uma atividade de base comunitária, que não deve ser colocada de cima para baixo, mas envolver cooperação”, afirma o pesquisador Marcus Fernandes, coordenador do LAMA/UFPA. “Estamos restaurando um ambiente que oferecerá de volta bens e serviços para todos, e a organização social visando objetivos comuns é elemento essencial”, destaca o pesquisador. 

O projeto Mangues da Amazônia reúne diversas frentes de trabalho de modo a produzir um legado social e cultural para a permanência de práticas sustentáveis no futuro. A iniciativa ‘Nem te Conto’ consiste em ciclos de diálogo junto a comunidades, especialmente entre mulheres, adolescentes e pessoas LGBTQI+, com temas como violência doméstica, gravidez na adolescência, diversidade de gênero e saúde preventiva, que será o tema da atividade em julho. “O desafio é intervir e garantir mudanças na realidade, mas é necessário estrutura do estado para que os direitos sejam garantidos”, destaca Adiele Lopes, psicóloga social do projeto.

Os jovens guardiões e guardiãs dos manguezais, onde trabalham junto com a família para obter alimento e renda, são alvos também do’Clube de Ciências’, que abrange meninos e meninas de sete a 12 anos no propósito de despertar os olhares e a curiosidade para a ciência. Além de contribuir no desempenho escolar, a atividade cultiva o entendimento sobre como funcionam a natureza e as coisas presentes no cotidiano das brincadeiras e do trabalho nas comunidades. Um dos objetivos é promover a difusão científica e fazer a informação chegar aos pais através das crianças. 

Já o ‘Clube do Recreio’, também no âmbito do projeto Mangues da Amazônia, destina-se a crianças de menor faixa etária, de três a seis anos, mobilizadas por atividades lúdicas e educativas sobre os manguezais. “É uma contribuição à formação cidadã, além do estímulo ao futuro engajamento ambiental”, explica Aila Freitas, coordenadora da ação, que neste ano envolverá 60 crianças, no momento de forma remota. As atividades práticas são realizadas com auxílio da família nas residências, a partir de material didático entregue nas comunidades pela equipe do projeto.

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