Fundo Amazônia +10 vai tentar R$ 500 milhões

08/11/2021

Secretários da área de ciência e tecnologia de dez estados brasileiros e representantes das respectivas fundações de amparo à pesquisa (FAPs) reuniram-se, de 4 de novembro, em Brasília, para os acertos finais do lançamento do edital Fundo Amazônia +10, iniciativa conjunta de São Paulo, Acre, Amapá, Amazonas, Maranhão, Mato Grosso, Pará, Rondônia, Roraima e Tocantins para o desenvolvimento da ciência, tecnologia e inovação na Amazônia Legal. 

O Fundo começa com a determinação da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (FAPESP) de alocar até R$ 100 milhões para projetos de pesquisadores paulistas, em colaboração com pesquisadores da região Norte, orientados à conservação da biodiversidade e mudanças climáticas, à proteção de populações e comunidades tradicionais, aos desafios urbanos e bioeconomia como política de desenvolvimento econômico na região da Amazônia Legal. O valor do investimento poderá chegar a R$ 500 milhões com a adesão de governos, empresas e organizações internacionais.

O lançamento do Fundo Amazônia +10 foi anunciado pela secretária de Desenvolvimento Econômico de São Paulo, Patrícia Ellen, durante evento online na Conferência das Nações Unidas sobre as Mudanças Climáticas, (COP-26) em Glasgow, na Escócia, no dia 1º de novembro, na presença do governador João Doria, de secretários da área de ciência, tecnologia e inovação de nove Estados da região e dos presidentes da FAPESP, Marco Antonio Zago, e do Conselho das Fundações de Amparo à Pesquisa (Confap), Odir Dellagostin, entre outros. Na reunião, o secretário de Ciência e Tecnologia do Pará, Carlos Maneschy, anunciou aporte de recursos ao Fundo de até R$ 20 milhões. “Temos aqui a união dos nove Estados da Amazônia Legal e de São Paulo. A FAPESP, nas últimas décadas, foi a Fundação de Amparo à Pesquisa que mais investiu em ciência e tecnologia na Amazônia Legal. Esse investimento pode ser otimizado se passarmos a trabalhar de forma conjunta”, afirmou Patrícia Ellen, referindo-se a um total de R$ 655 milhões que a FAPESP destinou a mais de 3 mil projetos de pesquisa na região desde 1994. O edital Fundo Amazônia +10 priorizará projetos patrocinados por, ao menos, três Estados da região.

Marco Antonio Zago, da Fapesp, lembrou que a fundação tem mais de 20 anos de apoio à pesquisa em energia limpa, biodiversidade, mudanças climáticas, região amazônica e sustentabilidade. “Vamos fazer juntos”, afirmou. “Vivemos num único mundo, todos ligados ao futuro do mesmo planeta: países ricos, países pobres, países em desenvolvimento, Estados da Amazônia, Estados do Sul e Sudeste. Poluição e mudanças climáticas não respeitam divisões geográficas. As soluções para preservar florestas tropicais, melhorar as condições de vida das populações que vivem nesta vasta parcela do Brasil e, também, para frear as mudanças climáticas virão, em grande parte, da ciência”. 

O lançamento do Fundo Amazônia +10 durante a COP-26 teve como objetivo atrair potenciais financiadores estrangeiros interessados na preservação e no desenvolvimento sustentável da região amazônica. Parte da delegação de São Paulo permaneceu em Glasgow para buscar adesão de fundos nacionais e internacionais para atingir a meta de R$ 500 milhões.

Rafael Pontes Lima, secretário de Ciência e Tecnologia do Amapá, afirmou que é fundamental que a ciência e tecnologia transformem o enorme potencial da região. “Conhecemos os problemas. Integrados a São Paulo, poderemos resolver juntos.” De acordo com o presidente do Confap, que também preside a FAP do Rio Grande do Sul, a iniciativa já tem apoio de outros Estados, não só os da Amazônia legal. “Fazemos pesquisa qualificada. A situação da Amazônia merece a nossa atenção e precisamos colocar a ciência a serviço do desenvolvimento sustentável.”

Em comunicado à comunidade científica, o Conselho Superior da FAPESP afirma que a iniciativa da Fundação em conjunto com outros Estados é “um desdobramento de ações anteriores, a exemplo do Memorando de Entendimento para Cooperação em Ações de Ciência, Tecnologia e Inovação, assinado em 2017 por 23 FAPs” e que, neste momento, “é responsabilidade dos cientistas, das agências de apoio à pesquisa e dos governos responsáveis assumir ações que reflitam o engajamento da ciência brasileira para preservação do planeta”.

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