Cristalina vê oportunidades em leilões municipais

15/02/2022

Fundada por Paulo Uebel, a Cristalina Saneamento ainda está no papel, mas pretende concorrer em leilões municipais de saneamento. A diretoria da empresa já se prepara para concorrer aos leilões de Erechim e Porto Alegre, no Rio Grande do Sul, além das licitações para a elaboração de estudos, no modelo de Procedimento de Manifestação de Interesse (PMI). Um processo em estudo pelo grupo é o da prefeitura de Brusque (SC). 

“O mercado de concessões municipais tem um potencial gigantesco, muito maior que o das empresas estaduais. Mapeamos 64 projetos em curso, muitos anteriores ao novo marco legal do saneamento. Com a nova lei, certamente esse número vai mais do que dobrar nos próximos anos. São muitas oportunidades para novos entrantes”, afirma Uebel, vice-presidente da empresa. Para fundar a companhia, ele se uniu a Yves Besse, executivo que já passou por Veolia, Suez e CAB Ambiental e já foi presidente da Abcon (Associação Brasileira das Concessionárias Privadas de Serviços Públicos de Água e Esgoto). A outra fundadora é Daniela Pinho, que foi diretora financeira da CAB Ambiental.

A Cristalina Saneamento vê como trunfo o histórico de seus fundadores, afirma Besse, que é presidente da companhia. “Uma empresa, quando começa, vai enfrentar grandes desafios para buscar seu espaço. Temos conseguido conversar com fundos, atrair pessoas, pela legitimidade e pela bagagem dos nossos acionistas”, afirma Besse. Uma das grandes barreiras é a exigência de atestações técnicas para disputar licitações, o que a Cristalina não tem. A expectativa é formar parcerias em consórcios com outras empresas. “Já temos parcerias sendo estabelecidas, que serão locais. Não vemos grande dificuldade para firmar esses acordos”, diz Besse.

A Cristalina estuda participar de leilões por meio de fundos, com recursos levantados para projetos específicos, explica Uebel. Atualmente, esta opção não está disponível, mas há a necessidade de buscar alternativas de financiamento no mercado de capitais, que deverá ser ainda maior no caso de projetos municipais, por causa do novo marco do saneamento, que determinou que a prioridade de destinação de recursos públicos federais - incluindo Caixa e BNDES - serão as concessões regionais. “Com uma boa modelagem, até pequenos municípios podem ser viáveis. Mesmo sem Caixa e BNDES, há muitos recursos privados disponíveis para bons projetos. O conceito do novo marco legal de estimular a regionalização é válido, mas não inviabiliza as concessões menores. Os modelos podem coexistir”, afirma Uebel.

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