Prêmio por mineraleiro com velas rotativas

16/11/2021

A Vale ganhou o Wind Propulsion Innovation Awards, premiação anunciada pela International Windship Association em Glasgow, na Escócia, durante evento paralelo à Conferência das Nações Unidas sobre Mudança do Clima (COP26), pelo projeto do primeiro mineraleiro de grande porte do mundo equipado com sistema de velas rotativas (rotor sails). A mineradora recebeu o prêmio na categoria destinada às empresas que fomentam à adoção deste tipo tecnologia por meio de protótipo ou uso comercial - desde maio, a frota de navios a serviço da empresa conta com um Guaibamax equipado com as velas rotativas. 

Segundo os organizadores, foram reconhecidos projetos pioneiros, tecnologias inovadoras, pessoas e empresas que estão fazendo a diferença no avanço da propulsão a vento como uma opção eficiente de baixo carbono e sustentável para a frota comercial de navegação. “Essa escuta ativa e engajamento com a sociedade é muito importante, e não só reconhece o nosso trabalho dos últimos anos, mas principalmente nos envia uma mensagem forte de como a agenda de mudanças climáticas e a transição para um mundo de baixo carbono é importante e como devemos ser parte da solução”, afirma o gerente de engenharia naval da Vale, Rodrigo Bermelho.

As velas rotativas são rotores cilíndricos, com quatro metros de diâmetro e 24 metros de altura. Durante a operação, os rotores giram em diferentes velocidades, dependendo das condições ambientais e operacionais do navio, com o objetivo de modificar a pressão para propulsão do navio, a partir de um fenômeno conhecido como efeito Magnus. As velas rotativas ainda em fase de testes podem oferecer um ganho de eficiência de até 8% e consequente redução de até 3,4 mil toneladas de CO2 equivalente por navio por ano. Estima-se que pelo menos 40% da frota da Vale esteja apta a usar a tecnologia, o que impactaria em uma redução de quase 1,5% das emissões anuais do transporte marítimo de minério de ferro.

O projeto de utilização das velas rotativas faz parte do Ecoshipping, programa criado pela área de navegação da Vale para atender ao desafio da mineradora em reduzir as emissões de carbono. Em 2020, a Vale anunciou investimentos de no mínimo US$ 2 bilhões para reduzir em 33% suas emissões de escopos 1 e 2 até 2030 e redução de 15% nas emissões de escopo 3 até 2035, relativas à cadeia de valor, das quais as emissões de navegação fazem parte, já que os navios não são próprios. As metas são alinhadas com a ambição do Acordo de Paris.

Em agosto deste ano, a Vale recebeu o primeiro navio Guiabamax com air lubrication instalado. A tecnologia cria um carpete de bolhas de ar na parte de baixo do navio, o que permite uma diminuição do atrito da água com o casco. A expectativa é reduzir o combustível em torno de 5 a 8%, com potencial de redução de 4,4% das emissões anuais do transporte marítimo de minério de ferro da Vale. Com a adoção de novas tecnologias e renovação de sua frota, a Vale tem investido em eficiência e inovação ambiental na área de navegação. Desde 2018, a mineradora opera com Valemaxes de segunda geração e, desde 2019, com os Guaibamaxes, com capacidades de 400 mil toneladas e 325 mil toneladas, respectivamente. Os navios estão entre os mais eficientes do mundo e conseguem reduzir em até 41% as emissões de CO2 equivalente se comparadas com as de um navio capesize, de 180 mil toneladas, construído em 2011.