29/01/2019 BIOGÁS

Unidade em Itaipu produz 17 mil m³

A unidade de Demonstração de Biogás e Biometano instalada nas dependências da usina hidrelétrica de Itaipu, em Foz do Iguaçu (PR), produziu 17.458 m³ de biometano em 2018. O volume é suficiente para abastecer a frota dos 80 veículos da Itaipu movidos a este combustível. Estes carros percorreram 210 mil km ao longo de 2018, o equivalente a cinco voltas ao redor do planeta Terra. 
 
“A planta de biometano é uma experiência de sucesso porque mostramos que é possível dominar a tecnologia de produção deste gás. Itaipu é, hoje no cenário nacional, umas das instituições que mais se destacam em relação à gestão adequada dos resíduos e a transformação de um passivo ambiental em um recurso para mobilidade”, considerou o chefe da Assessoria de Energias Renováveis de Itaipu, Paulo Afonso Schmidt. A unidade foi inaugurada em 2017 por meio de uma parceria entre a Itaipu e o Centro Internacional de Energias Renováveis – Biogás (CIBiogás). 
 
Para produzir o biometano foi realizado tratamento de todo o resíduo orgânico gerado nos restaurantes da Itaipu, além  de parte da poda da grama e de outros materiais enviados por entidades parceiras. No total, foram tratadas 155 toneladas de resíduos. Como subproduto, foram produzidos 48 mil litros de biofertilizante, que é usado como adubo nos canteiros e gramados da usina. Ao longo do ano, foi evitada a emissão de 1.260 kg de gases causadores do efeito estufa.
 
“Em 2018, nós fizemos parceria com algumas entidades como, por exemplo, a Polícia Federal, que nos enviou uma apreensão de feijão que estava sendo usada para carregar droga”, destacou a engenheira mecânica Larissa Schmoeller, analista de Projetos do CIBiogás. “Pegando resíduos de fora, além de aumentarmos nossa produção, nós podemos testar vários tipos diferentes de substratos para fazer pesquisas da viabilidade daquela matéria-prima”, concluiu. Outra parceria foi com a Receita Federal que enviou uma carga de cigarro para ser usada como matéria-prima do biometano. “O cigarro se mostrou bastante útil. A Receita tem uma máquina que separa o papel e filtro do fumo, o que facilita nosso trabalho”, explicou Paulo Schmidt.
 
A planta usa tecnologia 100% nacional e pode ser replicada em indústrias, cooperativas, hotéis, além de servir como política pública para as prefeituras resolverem o problema do lixo urbano e atenderem às exigências da Política Nacional de Resíduos Sólidos de eliminar os lixões entre 2018 e 2021. 
 
A unidade utiliza diversas matérias-primas testadas anteriormente em laboratórios, e, dependendo do resultado, o resíduo orgânico pode ser triturado e misturado com outros. Posteriormente, ele é levado aos biodigestores onde acontece a degradação da matéria-prima por microorganismos de forma anaeróbica. São 60 minutos dentro do biodigestor, gerando dois produtos: o gás e um substrato seco.
 
O substrato é tratado e usado como biofertilizante e por ter alto teor de nitrogênio, fósforo e potássio é utilizado para recompor o solo, além de ajudar nas áreas verdes da Itaipu, como canteiros e gramados. Já o biogás vai para dois gasômetros flexíveis com capacidade de armazenamento de 500m³ diários. O biogás passa por processo de refino, onde são retirados o gás sulfídrico (enxofre), CO2 e água. O produto final, com 96% de pureza, tem as características exatas do gás natural. O biometano é pressurizado em 150 bars, para poder ser armazenado, abastecer os cilindros dos veículos e ser utilizado.

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