14/08/2019 MUDANÇAS CLIMÁTICAS

Terra e oceanos mais quentes, segundo IPCC

O Painel Intergovernamental sobre Mudanças Climáticas (IPCC) lançou relatório no qual afirma que a temperatura média do planeta aumentou 0,87° C desde o período pré-industrial, porém de forma diferente sobre os oceanos e a superfície terrestre. Em terra, a temperatura já é de 1,53°C - acima, portanto, da meta de 1,5°C definida pelo Acordo de Paris aprovado por 155 nações - inclusive o Brasil - em 2015. O aumento da temperatura na terra é explicado principalmente pela desertificação e a degradação do solo, o que pode impactar severamente a segurança alimentar. "Proteger nosso clima e alimentar o mundo exige ação urgente. O relatório do IPCC chega no momento em que os alertas de desmatamento da Amazônia mostram crescimentos absurdos, bem acima da destruição verificada ano passado", afirma Paulo Adário, estrategista sênior de florestas do Greenpeace. 
 
Segundo cientistas de diversas partes do mundo, atualmente não basta apenas zerar as emissões globais de combustíveis fósseis mas também acabar com o desmatamento, proteger e restaurar florestas e ecossistemas naturais, que são sorvedouros naturais de CO2. Além disso, alertam para a necessidade de substituir commodities agrícolas por alimentos sustentáveis, em especial com a redução na produção de leite e diminuição no consumo de carne bovina.
 
Segundo o IPCC, o consumo de carne mais do que dobrou nos últimos 60 anos, à medida que os solos foram convertidos para uso agrícola. Hoje, as emissões do sistema alimentar como um todo, incluindo produção e consumo, representam até 37% do total global de emissões de gases de efeito estufa induzidas pelo homem. "Empresas agrícolas precisam abandonar promessas vagas e mudar radicalmente suas práticas predatórias; e governos precisam assumir suas responsabilidades para com a proteção de florestas, respeitando o direito das populações tradicionais e povos indígenas. Mudar a forma como produzimos alimentos e o que comemos ajudará a proteger o clima e a promover a segurança alimentar em escala global", diz Adário. 
 
O relatório especial do IPCC é o mais amplo estudo científico feito até hoje sobre mudança climática e os solos. Os cientistas alertam que mais de um quarto da superfície coberta por terra no planeta está sujeita à degradação induzida pelo homem. O relatório aponta também que 23% das emissões humanas de gases de efeito estufa provêm do desmatamento, das queimadas e da agricultura, mas afirma que as florestas e o solo, se bem manejados, podem atuar como um poderoso sorvedouro de carbono para ajudar a mitigar o pior das mudanças climáticas. 

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