30/10/2017 EMISSÕES

Setor marítimo tenta ‘obstruir’ acordo climático

Um estudo recente do think tank britânico Influence Map relacionou a Vale e esforços para enfraquecer um acordo climático proposto da ONU para o setor de transporte marítimo. O relatório está sendo lançada em paralelo a nona rodada de conversas sobre emissões de gases de efeito estufa pelo setor marítimo dentro da ONU, que começaram em 23 de outubro, em Londres, no Reino Unido. 
 
O documento trata como a indústria de transporte marítimo pressiona as Nações Unidas para obstruir as ações de mudança climática para setor, garantindo que ele seja o único a não sofrer atualmente com medidas de redução de emissões. Segundo relatório do Parlamento europeu de 2015, o transporte marítimo poderia ser responsável por 17% das emissões globais de gases de efeito estufa até 2050, caso não seja regulamentado. Apesar disso, o setor de transporte marítimo permanece fora do Acordo do Clima da ONU, firmado em Paris em 2015, potencialmente ameaçando as ambições globais nele estabelecidas.
 
A pesquisa da Influence Map revela que no mais recente comitê ambiental da OMI, 31% das nações foram representadas em parte por interesses comerciais diretos. A OMI parece ser a única agência da ONU a permitir uma representação corporativa tão extensa no processo de elaboração de políticas. O relatório mostra que os muitos Estados que têm representação substancial da indústria em suas delegações apoiam ambições climáticas menores, o que envolve o Brasil e a Vale. 
 
Além da Vale, o estudo aponta que os grandes grupos de comércio marítimo como ICS, BIMCO e WSC estão "obstruindo" ativamente e coletivamente a política de mudanças climáticas globais para o setor de navegação. O estudo mostra ainda que a navegação marítima consegue manter seu modelo de negócios em relação às emissões de carbono graças à influência sobre o processo de regulamentação. O progresso na regulamentação foi paralisado por associações comerciais de frete, com a International Chamber of Shipping (ICS) liderando esforços para se opor à ação sobre mudanças climáticas na OMI (Organização Maritima Internacional, ou IMO, na sigla em inglês). O ICS, ao lado do BIMCO e do World Shipping Council, tem pressionado coletivamente para atrasar a implementação de quaisquer regulamentos climáticos até 2023 - até mesmo se recusando a apoiar qualquer coisa além de regulamentos voluntários que podem não reduzir as emissões globais de gases de efeito estufa do setor.
 

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