22/05/2017 MATA ATLÂNTICA

Mais uma edição do programa Viva a Mata

A Fundação SOS Mata Atlântica realizou, nos dias 18 e 19 de maio, a 13ª edição do Viva a Mata, evento anual que reúne ambientalistas, pesquisadores, voluntários e a população em geral para debater ideias e alternativas para preservação do bioma. A abertura do evento aconteceu no Red Bull Station, no Centro de São Paulo, com mediação da jornalista Paula Paiva. 
 
Marcia Hirota, diretora executiva da Fundação SOS Mata Atlântica, apresentou os resultados conquistados ao longo dos 30 anos de atuação da ONG, destacando os principais projetos e a participação dos jovens. “Vivemos um momento de mudança e transformação. As histórias apresentadas hoje servem como inspiração para que todos percebam que é possível fazer a diferença e preservar a Mata Atlântica, que é a nossa casa”. 
O painel ‘Nosso futuro na Mata Atlântica’ teve o depoimento de cinco jovens com participação ativa em projetos ambientais. Bruno Stéfanis, fundador do Instituto Biota de Conservação, apresentou o trabalho de monitoramento da reprodução das tartarugas. “Fizemos campanhas de orientação e utilizamos a tecnologia como uma ferramenta prática na defesa dos animais. Com o aplicativo BiotaMar, as pessoas nos avisam imediatamente sobre encalhes de animais”, destacou. 
 
Já Carolina Neves, do Instituto Yandê, mostrou o trabalho de capacitação realizado na APA Costa dos Corais, área de preservação ambiental do Nordeste e segunda maior área recifal do mundo. O projeto Jangadeiros da Rota Ecológica reorganizou o turismo local e capacitou 59 jangadeiros. “O projeto transformou pescadores e moradores locais em verdadeiros defensores das espécies nativas. Durante todo o processo, foi possível perceber o esforço e a vontade de fazer a diferença”, disse Carolina.
 
Outro assunto abordado foi a gastronomia sustentável. Jorge Ferreira mostrou a fruta da Juçara, que tem aspecto semelhante ao açaí e está ameaçada de extinção. “Estive em contato com a natureza durante toda a minha vida. Há alguns anos percebi o poder do compartilhamento das informações e passei a trabalhar na troca de experiências sobre técnicas de produção agrícola sustentável”, disse ele. Ferreira compartilha esse conhecimento adquirido nas redes sociais, em oficinas e cursos. 
 
Já em uma discussão focada em políticas públicas, Maurício Ruiz, fundador do Instituto Terra de Preservação Ambiental (ITPA) aos 14 anos, reforçou a urgência de um envolvimento mais ativo dos jovens nas questões políticas, principalmente no que diz respeito à causa ambiental. “É lamentável que existam tão poucos políticos que defendam essa pauta. É preciso deixar a nossa zona de conforto para fazer a diferença”, reforçou Ruiz. Ele já plantou mais de 1 milhão de árvores e apoiou a criação de 100 mil hectares em Unidades de Conservação. Por essa atuação, já sofreu represálias. “Fui agredido na rua e a sede do ITPA foi invadida duas vezes”, contou. Mas, ao longo do tempo, a população passou a reconhecer o trabalho. “Só em Miguel Pereira plantamos 600 mil árvores, além do saneamento de um bairro. E a população ficou muito grata”, disse.
 
Vitor Bini, vereador eleito do município de Paraguaçu Paulista e participante da Rede de Ação Política pela Sustentabilidade (RAPS), também ressaltou a importância da renovação política. “A mudança no perfil dos políticos eleitos em meu município foi radical. Após o trabalho de mobilização que realizamos, a média de idade dos vereadores eleitos, que era de 65 anos, passou para 35 anos”, destacou Bini.
 
No segundo dia de evento houve a oficina ‘A água entre nós – ação cidadã por nossos rios’ e atividades práticas. Os participantes conheceram os rios subterrâneos do trajeto entre o Red Bull Station e o SESC do Carmo, onde visitaram a exposição ‘Rios Des.Cobertos’. 

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