08/09/2017 BIOMAS

Estudo revela novas espécies na Amazônia

Segundo as conclusões do relatório “Atualização e Composição da lista Novas espécies de Vertebrados e Plantas na Amazônia (2014-2015)” lançado recentemente pelo Instituto Mamirauá e World Wide Fund for Nature (WWF), nos anos de 2014 e 2015 foram registradas 381 novas espécies de plantas e animais. O documento traz o levantamento das espécies da Amazônia descritas por pesquisadores de várias partes do Brasil e do exterior. São 216 novas espécies de plantas, 93 de peixes, 32 de anfíbios, 19 de répteis, uma ave, 18 mamíferos e dois mamíferos fósseis.
Esta é a terceira edição do estudo que mobilizou equipe de especialistas do Instituto Mamirauá e pesquisadores associados. As edições anteriores reuniram as novas espécies de 1999 a 2009 e 2010 a 2013. Ao todo, foram mais de duas mil novas espécies descritas nos últimos 17 anos. 
 
Para a produção do relatório sobre as espécies na Amazônia foram considerados os limites da Amazônia Hidrográfica, a Amazônia Ecológica e a Amazônia Política como área de amostragem. João Valsecchi do Amaral, diretor Técnico-Científico do Instituto Mamirauá, ressaltou a importância do conhecimento da biodiversidade do bioma. “Para a conservação das espécies, é necessário saber quais são, quantas são e a sua distribuição. Essas são informações fundamentais para garantir que os processos ecológicos e evolutivos sejam compreendidos e permaneçam, de modo a assegurar a sobrevivência das espécies”, disse.
 
O coordenador do Programa Amazônia do WWF-Brasil, Ricardo Mello, disse que o levantamento mostra que a biodiversidade amazônica é ainda um grande enigma. “Imaginar que em 2017 ainda estamos descobrindo novas espécies demonstra que temos muito mais o que estudar na região”. 
 
O documento revela também a existência de especialistas e taxonomistas, profissional que classifica os seres vivos. “Nós precisamos ter garantia de recursos, sejam humanos, de infraestrutura e de financiamento, para as pesquisas. Idealmente, um forte programa para o levantamento da biodiversidade na Amazônia deveria ser mantido em longo prazo. Esforços deveriam ser realizados para a formação de mais profissionais em taxonomia e fortalecimento das instituições de pesquisa que realizam esses levantamentos”, reforçou Valsecchi. 
 
A descrição de novas espécies e a divulgação dos resultados científicos podem contribuir para atrair a atenção do Poder Público para a importância da Amazônia e a necessidade de um conhecimento mais abrangente da sua biodiversidade. As áreas com pouca ou nenhuma informação ainda são muitas e extensas e a probabilidade de que novas espécies sejam encontradas nesses locais é bastante alta. 
 
Entre as espécies descobertas estão o macaco zogue-zogue-rabo-de-fogo (Plecturocebus miltoni): Encontrado em 2010 durante expedição da WWF-Brasil, no noroeste do Mato Grosso, o primata recebeu o nome “miltoni” em homenagem a um dos maiores primatólogos brasileiros, o cientista Milton Thiago de Mello. Já o boto Inia Araguaiensis foi encontrado em 2014 na bacia do rio Araguaia. Tem características moleculares e medidas do crânio distintas dos botos do rio Amazonas. Estima-se que a espécie tenha surgido há cerca de 2,8 milhões de anos, quando teria se separado das outras populações de botos e se instalado na bacia do rio Araguaia, em Goiás.
 
O pássaro Poaieiro-de-Chico Mendes (Zimmerius chicomendesi) foi registrado pela primeira vez em 2009, no sul do Amazonas, dentro da Floresta Nacional de Humaitá. No entanto, só foi possível descrever essa espécie após uma expedição ocorrida em 2011, que trouxe novas e várias informações sobre o animal. Teve o nome em homenagem ao ambientalista e grande líder acreano. A perereca Pristimantis jamescameroni recebeu o nome em homenagem ao diretor de cinema James Cameron, um entusiasta das causas ambientais e divulgador de vários problemas existentes na região amazônica. O relatório completo “Atualização e Composição da lista Novas espécies de Vertebrados e Plantas na Amazônia (2014-2015)” pode ser verificado no site www.mamiraua.org.br