19/09/2017 TECNOLOGIA

Drone para monitorar espécies ameaçadas

Uma equipe de pesquisadores brasileiros desenvolveu o primeiro drone das Américas, denominado ‘Dronequi’, para observar e detectar muriquis-do-norte (Brachyteles hypoxanthus), maior primata do Brasil, espécie que beira a extinção. O equipamento apresenta vários avanços, pois conta com visão dupla: uma câmera colorida em altíssima resolução e outra com visão termal, que é sensível ao calor emitido por seres vivos mesmo em ambientes de difícil visibilidade, como florestas, por exemplo. 
 
O ‘Dronequi’ também chama atenção pela configuração. Com 8 kg, 90 cm de diâmetro e capacidade de voo de até 15 minutos, o equipamento amplia o alcance e a visão de biólogos que antes dependiam apenas de binóculos para acompanhar os muriquis. De acordo com o biólogo e idealizador do projeto, Fabiano Melo, professor da Universidade Federal de Viçosa, membro do MIB (Muriqui Instituto de Biodiversidade) e da Rede de Especialistas em Conservação da Natureza, o drone traz o melhor da tecnologia para a conservação da natureza. "Antes, nosso método era entrar na mata e contar os macacos individualmente. Agora, com o drone, temos uma câmera colorida de altíssima resolução e outra sensível ao calor registrando exatamente a mesma cena, o que nos auxilia a localizar e contabilizar os animais em novos grupos e, principalmente, indivíduos isolados", comemora Fabiano, que também é consultor voluntário da Fundação Grupo Boticário de Proteção à Natureza. 
 
As imagens captadas são compiladas pelo software Murilabs, responsável pela sincronização da visão das duas câmeras, além de aliar os dados do sistema GP para determinar a posição exata dos macacos. “Desenvolvemos um algoritmo inovador e exclusivo para esse projeto, que consegue, automaticamente, detectar um muriqui-do-norte na imagem térmica com base no calor gerado pelo animal e no seu padrão de movimentação, mesmo que ele esteja camuflado nas copas das árvores, habitat natural da espécie”, conta Marcos Costa, engenheiro mecatrônico e diretor de sistemas embarcados da Storm Security, empresa responsável pelo desenvolvimento do Dronequi. 
 
Além do monitoramento dos muriquis, o drone poderá ser utilizado para localização e resgate de pessoas. O projeto, 100% brasileiro, é fruto de uma parceria entre a equipe da Storm Security, com biólogos da ONG MIB e apoio da Fundação Grupo Boticário de Conservação da Natureza. O projeto também conta com a parceria da Reserva do Ibitipoca e da Fundação Biodiversitas. 
 
Atualmente existem apenas 900 muriquis-do-norte, o que coloca a espécie como “criticamente em perigo” pela mais recente lista divulgada pelo Ministério do Meio Ambiente. A classificação está atrás somente da “extinta da natureza”. Os primatas são encontrados na Mata Atlântica, habitat natural da espécie, as fêmeas têm o costume de migrar entre os grupos, diferente dos machos, que permanecem a vida inteira em um mesmo bando. Com essa migração, as fêmeas acabam muitas vezes ficando perdidas em pequenos fragmentos da mata e o drone vai auxiliar também neste momento: encontrando animais isolados e minimizando o risco de perdê-los. 

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