19/01/2018 TERRAS INDÍGENAS

Desmatamento cresce em RO e MT

Segundo dados do aplicativo Global Forest Watch (GFW), concebido pelo World Resources Institute (WRI) para o monitoramento de florestas e emissão de alertas diante de ameaças importantes, o desmatamento ilegal atingiu área equivalente a mais de 1,7 mil campos de futebol em terras indígenas nos estados de Rondônia e Mato Grosso. Entre os principais vilões estão o garimpo, pastagens e a extração de madeira para comercialização. 
 
O app permite acompanhar o desmatamento no Corredor Indígena Tupi-Mondé, área de grande pressão, situada entre Rondônia e Mato Grosso. Imagens de satélite, dados abertos e informações fornecidas pela população local permitem mapear onde o desmate acontece na região, suas causas e agentes. “O ganho dessa metodologia é a precisão conferida pelo olhar de quem está no local. Utilizamos imagens dos satélites Landsat e Sentinel, disponibilizadas pela Agência Especial Europeia (ESA), para fazer um primeiro mapeamento e, em seguida, validamos com as lideranças indígenas locais, que ainda ajudam a identificar quem está desmatando e por quê”, explica Pedro Soares, gerente do Programa de Mudanças Climáticas do Instituto de Conservação e Desenvolvimento Sustentável da Amazônia (Idesam). 
 
O instituto norteia a iniciativa em parceria com a Equipe de Conservação da Amazônia (Ecam), a Gamebey — Associação Metaleirá do Povo Indígena Suruí e a Kanindé — Associação de Defesa Etnoambiental. As informações coletadas irão subsidiar o Boletim do Desmatamento do Tupi-Mondé, de periodicidade semestral. A primeira edição já está em circulação e analisa dados coletados entre janeiro e julho de 2017. Nesta primeira coleta, verificou-se que a região perdeu cerca de 1,2 mil hectares de floresta. “Primeiro, vêm o corte ilegal de madeira e as atividades mineradoras de ouro ou diamante, que são de grande liquidez. O dinheiro arrecadado subsidia, mais tarde, atividades de pecuária e agricultura. Em alguns territórios, os indígenas participam, frequentemente como mão-de-obra, como no caso da mineração”, afirma Soares.
 
O Corredor Tupi-Mondé possui uma área total de 3,5 milhões de hectares, divididos em sete Territórios Indígenas, que abrigam seis mil habitantes das etnias Cinta Larga, Zoró, Paiter Surui, Gavião e Arara. Ele está situado no meio do arco do desmatamento da Amazônia e integra um importante corredor florestal de grande biodiversidade.

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