Desmatamento atinge maior marca em maio

04/06/2021

Segundo o sistema Deter B, do Inpe, os alertas de desmatamento na Amazônia, em apenas 28 dias de maio, alcançaram a marca de 1.180 km2, um aumento de 41% em relação ao mesmo mês de 2020. Esta é a maior marca desde 2016 e a primeira vez que o número ultrapassa 1.000 km2 para o mês de maio. 

O dado preocupa, já que o País entra agora no período da estação mais seca, quando a devastação cresce em grande parte da região amazônica. Caso seja mantida a tendência nos próximos dois meses, a taxa oficial de desmatamento de 2021 (medida de agosto a julho) poderá terminar com uma inédita quarta alta consecutiva. O Congresso aprovou recentemente pacote de R$ 270 milhões para combater o desmatamento ilegal. Os recursos serão divididos entre o Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama), com R$ 198 milhões, e o Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade, com R$ 72 milhões. Os recursos irão apoiar a fiscalização e a repressão de crimes ambientais e o combate a incêndios florestais e queimadas na Amazônia, além de despesas para gestão de unidades de conservação federais. "O grande problema da fiscalização e do combate ao desmatamento não é apenas falta de dinheiro; o que falta é governo", afirma Marcio Astrini, secretário-executivo do Observatório do Clima. 

No acumulado desde agosto de 2020, vem caindo rápido a diferença entre a área recorde de alertas do ano passado e a deste ano: em janeiro o desmatamento em 2021 era 21% menor que em 2020. Agora a diferença é de 8%, e ainda pode cair mais. "O desmatamento neste ano será o que os madeireiros ilegais, garimpeiros criminosos e grileiros quiserem que seja. E, neste momento, eles não têm nenhum motivo para se controlar, já que o próprio governo federal, que deveria coibir a ilegalidade, os incentiva com atos e discursos", conclui Astrini.