12/09/2017 POLUIÇÃO

Cruzeiros são mais poluentes que rua

Segundo levantamento da ONG alemã NABU (União de Conservação da Natureza e da Biodiversidade) realizado próximo às linhas de cruzeiros, a concentração de material particulado no ar chega a 380 mil partes por metro cúbico, enquanto uma rua movimentada geralmente apresenta cerca de 20 mil partes e o ar considerado limpo possui menos de 2 mil partes. A ONG também calculou que um navio de porte médio, que queima até 150 toneladas de combustível por dia, emite a mesma quantidade de material particulado que um milhão de carros.
 
O combustível queimado por este tipo de transporte é um óleo pesado que libera 100 vezes mais partículas de dióxido de enxofre do que o diesel marinho e 3.500 vezes mais do que o diesel para carros, as emissões de dióxido de enxofre de um grande navio de cruzeiro equivalem a 376 milhões de carros. Também são emitidas grandes concentrações de outros poluentes perigosos do ar, tais como o carbono preto (que é a parte fina da fuligem) e o óxido de nitrogênio (NOx), além de dióxido de enxofre e material particulado.
 
A substituição do óleo pesado por combustíveis mais limpos ou a instalação de filtros de partículas ou catalisadores SCR - tecnologias que já são padrão nos escapamentos de caminhões ou carros de passageiros poderiam reduzir o problema dos poluentes emitidos por estes navios. 
 
Para Dietmar Oeliger, chefe da política de transportes da NABU, "O desempenho ambiental das empresas de cruzeiro é ruim, assim como sua atitude em relação à transparência. No ano passado, o setor afirmou que 23 navios operariam com filtros de fuligem. A verdade é que não há um único filtro operando no presente", alerta. Não é de se estranhar, portanto, que as mais conhecidas empresas de cruzeiros marítimos tenham sido reprovadas no ranking anual que a ONG divulga para reconhecer quem promove avanços no combate à poluição. Na edição deste ano, lançada na Alemanha, apenas Hapag-Lloyd e TUI receberam avaliação positiva devido à instalação de catalisadores de óxido de nitrogênio - um passo pequeno, mas importante, para navios mais limpos.
 
As emissões dos motores a diesel empregados em todos os navios de cruzeiro hoje são classificadas como cancerígenas pela OMS. Elas são responsáveis por outras doenças graves como asma ou doenças cardiovasculares, que causam mortes prematuras. Um relatório da OCDE de 2014 revelou que comunidades próximas ao porto de Long Beach de Los Angeles tinham taxas mais elevadas de asma, doenças cardíacas e depressão. O mesmo estudo relacionou 3.700 mortes por ano na Califórnia às emissões portuárias. Um estudo do último ano liderado pelo acadêmico norte-americano James Corbett calculou que os navios são responsáveis por 3% das mortes por poluição do ar nos EUA a cada ano. 

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