29/04/2015 ÁGUA

Brasil não trata contaminantes emergentes

Os contaminantes emergentes clássicos não estão sendo removidos pelos métodos utilizados no sistema de saneamento brasileiros. Esta é a conclusão da tese de doutorado do químico Igor Cardoso Pescara sob orientação do professor Wilson Jardim), defendida no Instituto de Química da Unicamp. Tais contaminantes recebem essa denominação por ainda não serem objeto de legislação específica, embora sejam potencialmente nocivos à saúde humana.

Em sua pesquisa, Pescara analisou a eficiência dos processos usados em cinco estações de tratamento de esgotos (ETEs) localizadas nos municípios de São José de Rio Preto e Campinas, no interior de São Paulo, verificando se as mesmas removiam hormônios endógenos, hormônios sintéticos e produtos de uso industrial como bisfenol, uma substância classificada como estrógeno.
A tese faz parte de um trabalho que está sendo desenvolvido no Laboratório de Química Ambiental da Unicamp, com vistas a fornecer subsídios para promover a alteração da portaria 2914, publicada em dezembro de 2011, pelo Ministério da Saúde, que dispõe sobre os procedimentos para controle e vigilância da qualidade da água para consumo humano.

A proposta dos pesquisadores brasileiros é que a água distribuída à população não apresente mais do que 0,1 micrograma de cafeína por litro. A cafeína é a substância utilizada como traçador de inúmeros contaminantes emergentes. Onde a substância está presente, há grande probabilidade da presença de outros contaminantes, principalmetne os interferentes endócrinos. Nos testes realizados em laboratório, todas as amostras que continham mais de 10 microgramas de cafeína por litro de água, apresentaram atividade estrogênica.

Pescara informa que a etapa do tratamento biológico, especialmente o anaeróbio, foi o que promoveu a maior remoção dos compostos emergentes nas ETEs. “Numa análise bastante objetiva, é possível dizer que o nosso sistema de saneamento ainda não está devidamente preparado para combater esses novos inimigos. A boa notícia é que temos armas suficientes para enfrentá-los, ou seja, nós dispomos de tecnologias capazes de promover essa remoção com bastante eficiência. O que está faltando, como também já foi dito, é alterarmos a legislação para que possamos oferecer água de melhor qualidade aos brasileiros”, acrescenta. (Fonte: Jornal da Unicamp)

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