10/10/2017 RESÍDUOS

Biocarvão eficaz como condicionador de solo

Uma pesquisa iniciada pela Embrapa Agrossilvipastoril (MT), em 2012, está testando o uso de biocarvão, ou biochar, feito de pó de serra, restos vegetais, cama de frango e lixo urbano, como condicionador de solo. A expectativa é comprovar a eficácia do biochar em cultivos tanto em viveiros de mudas quanto no campo. Os condicionadores de solo são substâncias que, agregadas ao solo, contribuem para melhoria das características químicas, físicas e biológicas, além de aumentar a capacidade de suporte de plantas. “Carvão é um carbono que não é perdido facilmente. Uma palhada, se você não continuar repondo-a, vai embora em dez anos. Já o biochar permanece por muito mais tempo”, ressalta a pesquisadora da Embrapa Fabiana Rezende.
 
O biocarvão pode ser obtido a partir de diferentes matérias-primas, entre elas resíduos de agroindústrias, de restaurantes e até mesmo lama proveniente do tratamento de esgoto, de modo a se dar um novo uso a um passivo ambiental. A pesquisa da Embrapa tem como foco o uso de pó de serra na produção do biocarvão, já que o produto é abundante em Mato Grosso como resíduo da indústria madeireira. O pó de serra representa um passivo ambiental importante para a região. Com a transformação em biocarvão, esse material retorna ao sistema produtivo como um insumo.
 
Na primeira fase da pesquisa o biocarvão produzido de pó de serra foi utilizado em diferentes quantidades na produção em viveiro de mudas de pau-de-balsa, eucalipto, teca e também maracujá. As avaliações de desenvolvimento da planta, qualidade da muda e quantidade de matéria seca mostraram que as mudas cultivadas com biocarvão ativado junto com substrato comercial tiveram melhor desempenho do que aquelas cultivadas somente em substrato comercial. Isso significa mudas maiores, com maior capacidade de sobreviver ao plantio em campo e com melhores condições de crescimento inicial. O biocarvão aditivado mostrou-se também uma boa alternativa econômica e viável para produção de mudas na proporção de um quarto (¼), ou seja, uma parte de biocarvão para três partes de substrato comercial.
 
Após finalizada a avaliação em viveiro, as mudas de duas espécies, eucalipto e teca, foram levadas a campo, onde se iniciou a segunda e mais longa fase da pesquisa. Nessa etapa, o estudo compara plantas que não receberam biocarvão com outras que receberam diferentes dosagens de carvão ativado e não ativado aplicadas no sulco de plantio. Segundo a pesquisadora Fabiana Resende, ainda é cedo para se chegar a conclusões sobre a melhor estratégia de uso do biocarvão. “Usamos uma dose grande de carvão não ativado, por volta de 30 toneladas por hectare. Já o ativado nós colocamos por volta de oito toneladas, pois sabemos que ele já é reativo. Mas o biochar sem ativação vai naturalmente se ativar com o tempo. Queremos saber se vale a pena usar o ativado, pois ele sai mais caro. Hoje o ativado é melhor para o crescimento das plantas, mas com o tempo talvez isso mude”.