Digitalização é ponto-chave para combater mudanças climáticas

07/09/2021

Por Carlos Urbano *

Nos últimos 18 meses, em um período no qual ninguém sonharia ser possível, conquistamos coisas incríveis. Várias vacinas foram desenvolvidas, testadas, aprovadas e produzidas em massa no decorrer de um ano, diferentemente de antes, quando isso poderia demorar cerca de uma década.

Indústria após indústria se adaptaram a métodos 100% remotos de trabalho em meses, em vez dos cinco a sete anos que normalmente levariam. As empresas reconfiguraram e adaptaram completamente as cadeias de abastecimento para garantir que produtos, de EPI a papel higiênico e alimentos frescos, pudessem ser adquiridos, produzidos e despachados nas quantidades necessárias, apesar do fechamento de fábricas e de fronteiras.

A tecnologia digital tem sido fundamental para permitir cada um desses sucessos no período de tempo acelerado em que foram alcançados. À medida que voltamos nossa atenção para o maior desafio que enfrentamos coletivamente, o aquecimento global, acredito que o digital é a bala prata que procuramos.

Por que o digital é a chave para combater as mudanças climáticas?

Para evitar uma catástrofe ambiental, precisamos reduzir as emissões de poluentes o máximo que pudermos (em última análise, 100%) o mais rápido possível (nos próximos 30 anos). O digital é um acelerador comprovado de mudança em todas as facetas da sociedade. As tecnologias já existem e podem ser adotadas imediatamente. Isso permite não apenas reduzir as emissões, mas também oferecer um retorno sobre o investimento que significa mais do que se paga ao longo do tempo. Entre os impactos da digitalização nas mudanças climáticas, podemos citar:

1) Visibilidade: as ferramentas digitais nos ajudam a ver e medir o que não podemos capturar a olho nu. A mudança climática é o problema energético: 80% de todas as emissões de carbono estão ligadas à energia. Reduzir (ou erradicar) a perda e o desperdício de energia são medidas que podem ser tomadas hoje com tecnologias que nos permitem monitorar o desempenho e a eficiência energética de casas, escritórios e indústrias. 

2) Eficiência: o que pode ser medido pode ser melhorado e otimizado. No geral, dois terços do potencial de eficiência são inexplorados no que diz respeito à economia de energia: 82% em edifícios, 58% na indústria e 79% em infraestrutura.

Mesmo os processos de uso intensivo de energia, como a produção de petróleo e gás, podem alcançar reduções significativas nas emissões com melhor planejamento e implantação de soluções digitais.

Um estudo recente que realizamos com a McDermott e a io Consulting descobriu que uma redução surpreendente de 76% nas emissões operacionais de instalações de petróleo e gás poderia ser alcançada com um aumento mínimo de gastos de 2%. Isso poderia ser fornecido por meio de uma combinação de energia de rede renovável digital, quadro de distribuição sem SF6 e certas modificações que permitiriam às instalações se livrar das chamadas emissões fugitivas, promovendo operações remotas e a segurança da equipe.

3) Interoperabilidade: soluções projetadas para diminuir erros e dar visibilidade completa de um projeto. Soluções interoperáveis ajudarão a reduzir erros e a criar um sistema de visibilidade completa desde o projeto até o nível de operações, especialmente no ponto em que a colaboração dentro ou fora do local é dada em uma série de segmentos críticos, incluindo estoque de edifícios, rede, transporte e projetos de infraestrutura-chave. Conectar todos os elementos dentro dos edifícios, que respondem por 40% das emissões de carbono, ajudaria a resolver um dos grandes desafios do nosso tempo – a eficiência da construção.

4) Capacitação: implantação e gerenciamento da transição para energias renováveis. À medida que as energias renováveis substituem os combustíveis fósseis, sua produção começa a mudar de mãos. Além dos grandes produtores de energia, existem empresas e indivíduos que a geram por si mesmos e a vendem para a rede. Nossos padrões de uso estão se adaptando com a migração para veículos elétricos, bombas de calor elétricas e serviços de streaming. E estamos consumindo mais eletricidade do que nunca.

As tecnologias digitais são essenciais para criar a rede inteligente de próxima geração e para apoiar a integração e a gestão de painéis solares, o carregamento de EV e o aquecimento em casa e nos locais de trabalho.

5) Inovação: o aumento do investimento sustentável gera impacto em escala

Com o rápido avanço das tecnologias digitais, podemos acelerar o progresso para cumprir os compromissos globais com as mudanças climáticas usando as ferramentas à nossa disposição hoje. E não há tempo a perder. Governos, empresas e sociedades têm demonstrado grande agilidade para priorizar a saúde pública.

Agora precisamos aplicar a mesma urgência quando se trata da saúde de nosso planeta. O digital fornece uma mudança radical na forma como abordamos, entregamos e dimensionamos os esforços de sustentabilidade. Um futuro líquido zero de carbono é certamente verde, mas também deve ser digital e elétrico.


* Carlos Urbano é Diretor de Industrial Automation da Schneider Electric Brasil