Plano de investimentos de R$ 10 bilhões

24/05/2021

A Companhia Riograndense de Saneamento (Corsan) elaborou um plano de investimentos de R$ 10 bilhões para conseguir alcançar os objetivos determinados pelo novo marco legal do saneamento até 2033. Atualmente, a companhia atende 96,58% da população com água tratada (a meta é 99%), mas o índice de esgotamento sanitário é de apenas 17,61% (a meta é 90% para coleta e tratamento de esgoto). Os investimentos serão destinados a uma grande quantidade de obras. 

A Diretoria de Expansão (Dexp) – área responsável pelo projeto e construção das estruturas que formam os sistemas de água e esgoto – passou por reorganização interna, na qual o modelo de gestão foi adequado para entregas e funcionalidades das obras e tendo como foco o resultado. O diretor da Dexp, Julio Hofer, explica que foi adotada a gestão por indicadores, onde é priorizada a qualidade; o trabalho por processo; melhorias de sistemas e procedimentos; maior integração da Dexp internamente e com outras áreas da Corsan. O diretor destaca também a gestão patrimonial, conceito que vem sendo implantado para imprimir mais qualidade ao projeto, tanto na execução quanto na vida útil da estrutura que venha a ser construída. 

Em relação as licitações, a primeira mudança veio com o contrato para construção de uma nova Estacão de Tratamento de Água (ETA) em Santa Cruz do Sul. A Corsan adota agora a contratação semi-integrada - um tipo de licitação muito utilizada para grandes obras, onde o contratante publica junto com a licitação o projeto básico da obra. A partir daí, as empresas interessadas verificam se têm capacidade para fazer frente ao trabalho proposto e propõem cada uma o seu projeto. A escolha não se atém somente a preço, mas considera também o histórico de qualidade dos trabalhos já concluídos pela companhia/consórcio interessado. A empresa contratada será a única a responder pela obra, tendo o compromisso de entregar desde o detalhado projeto executivo até a estrutura final concluída e operando.

O modelo semi-integrado faz com que a empresa contratada tenha mais responsabilidade pelo conjunto da obra, assumindo riscos que antes eram somente da Corsan. “Diminui a necessidade de aditivos contratuais, promovendo mais economia e cumprimento do cronograma acordado. No passado, contratamos obras por projetos muito básicos, que tiveram várias necessidades de alteração durante a execução. O resultado disso foram aditivos contratuais, necessidade de recurso adicional, muitas vezes redimensionamento do escopo da obra, atrasos, retrabalho, além da possibilidade de provocar certo litígio entre a Corsan e os empreendedores”. 

Além disso, o novo modelo de contratação permite ao fornecedor aportar soluções inovadoras para a obra, introduzindo tecnologias e melhorando a performance. Sobre a área de contratação, Hofer diz que a Corsan está numa fase intermediária. “O que se vê para o futuro são obras com sistema totalmente integrado”, comenta, referindo-se à modalidade de licitação em que a contratada assume, inclusive, o projeto básico. No item contratação, a Corsan também ampliou a adoção do pregão eletrônico para as grandes obras, facilitando que empresas de todo o país possam participar da licitação.

Em 2020, a Corsan investiu R$ 416,9 milhões – a maior quantia em sua história – mas, trabalha com a urgência na universalização dos serviços. A companhia realiza o mapeamento do que precisa ser feito. “Quando estruturamos o plano de expansão em 2019 percebemos a necessidade de buscar alternativas ao modelo que vinha sendo executado para atendimento dos compromissos assumidos junto aos municípios e agências reguladoras”. Atualmente, entre as principais obras em execução pela Corsan estão as que promovem a ampliação do tratamento de esgoto, adução e reservação de água em Bento Gonçalves, Gramado, Canela e Farroupilha, assim como as obras de rede e de tratamento de esgoto em Santa Maria. 

A Dexp iniciou contrato de R$ 35 milhões para trabalhar externamente os projetos, gerando maior volume simultâneo de licitações, contratações e execuções de obras. Na área de fiscalização, estão sendo investidos R$ 27 milhões, trazendo um maior número de técnicos qualificados para acompanhar as obras. Ao todo a Dexp implementou 21 projetos para a melhoria de processos, como os de digitalização total do processo de parcelamento de solo; o Projeto Fiscal Eletrônico, que está em fase de implantação, para a fiscalização digital de obras; novo modelo de contratação de obras; padronização de projetos; e a remodelação da Superintendência de Hidrogeologia (Suhid) com novos equipamentos, novos veículos e novos alojamentos, para melhorar as condições de trabalho.